Entrevista em ME 1

SABEDORIA Coletiva em Medicina de Emergência: Judith E. Tintinalli
Judith E. Tintinalli, MD, MS (Presidente emérita, Professora em Medicina de Emergência, na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill) // Editado por: Alex Koyfman, MD (@ EMHighAK) e Brit Long, MD (@ long_brit)
1) Por que ainda medicina de emergência?
Ei, eu realmente gosto mesmo disso! Trabalhei noite passada: nós atendemos doente atrás de doente, o plantão voou. Fazer diagnóstico na emergência ainda é desafiador. Todo plantão, aprendo algo novo. Tento novos tratamentos, novas técnicas. É um ambiente estimulante. E eu me surpreendo com as coisas que não sei, com coisas que esqueci, coisas que acho que deveria saber …
2) Caso mais impactante.
Foi no Hospital Beaumont, em Michigan. Plantão cheio, muitas crianças, fui ver uma criança que havia caído da bicicleta. Parecia bem. Então chequei ela mais ou menos uma hora depois – deterioração do estado neurologócio! Liguei para Alexa Canady urgentemente, eu disse Alexa, esse garoto tem um epidural agudo. Vou levá-lo eu mesma para a TC e te enconto no centro cirúrgico. Depois da TC (que eu não tive tempo de olhar), eu a encontrei no elevador com a criança na maca; nós dois estávamos a caminho do centro cirúrgico. A criança realmente tinha um hematoma epidural, e a rápida descompressão de Alexa o salvou.

Agora, você deve saber quem é Alexa Canady. Ela foi a primeira neurocirurgiã afro-americana e, como tal, primeira a ser certificada pela ABNS. Famosa. Expert. Dedicada aos seus pacientes. E naquela época, como neurocirurgiã pediátrica, cobria todos os principais hospitais de Michigan.
Um caso impactante porque me reforçou como a observação, o julgamento clínico e uma abordagem de equipe podem realmente salvar uma vida. E eu estava tão orgulhosa de trabalhar diretamente com Alexa! Encontrei com a criança e seus pais em uma loja local tempos depois. Ele era um garoto normal, ativo e feliz. Uau. Fiquei sorrindo por dias.
3) Decisão mais importante da carreira que trouxe satisfação.
Algumas decisões. Eu amava ME, mas com uma criança e família em Michigan, e como parte da geração Bruce Janiak, não havia nenhum lugar para treinar ME. Ainda. Após a residência em Medicina Interna na Universidade de Michigan, eu joguei minhas cartas no Detroit General Hospital para trabalhar sob a orientação de Ron Krome. Aproveitei todas as oportunidades que ele disponibilizou e, claro, isso levou a presidência da ABEM e a editoria do The Study Guide.
Mas minha segunda decisão importante foi voltar, anos depois, para obter meu MPH (Master of Public Health) na Universidade de Michigan. Isso abriu meus olhos para um novo mundo de possibilidades. Eu queria ter feito isso antes. Estou muito feliz por ver estudantes de medicina e jovens professores obterem diplomas avançados, para que estejam mais bem preparados do que eu para a Medicina de Emergência do futuro.
4) Como é o futuro da ME?
A popularidade está crescendo e a medicina de emergência está firmemente estabelecida como uma grande parte da medicina. Eu continuo um pouco cética sobre a ênfase no burnout. Medicina de emergência é uma ótima especialidade. Pode-se trabalhar horas extras; tempo integral; meio período; locums; em telemedicina; clínicas; fazer pesquisa clínica, educacional ou básica; subindo a escada corporativa. As oportunidades são infinitas. Nossa especialidade nos dá muito mais controle sobre nossas vidas e nossa prática do que a maioria das outras especialidades (ok, talvez a dermatologia faça isso melhor … mas quem consegue olhar pele o dia todo?)
5) Maior conquista / porque devolver é importante.
Temos que manter o fogo aceso. ME foi tão emocionante nos primeiros anos! Nós contra todos! Às vezes é mais fácil ser um iniciante do que um mantenedor. Temos que manter nossa dedicação ao atendimento ao paciente, nosso entusiasmo pela especialidade, nosso compromisso de participar de nossas sociedades para que possamos impactar as questões políticas e administrativas que estão no caminho da melhoria da saúde.
6) fracasso favorito.
Estes são conceitos contraditórios. Fui instruído por Ron Krome, e sempre penso em sua abordagem como uma “faca serrilhada” quando alguns outros líderes iniciais eram lisos como uma “faca de entalhar”. Levei anos para desenvolver um estilo menos politicamente agressivo. A prática de ME significa tomada de decisão rápida e mudança rápida quando você sabe como melhorar as coisas. Mas as instituições caminham juntas e requerem anos de consenso para seguir em frente. Os líderes de ME de hoje aprenderam a misturar esses estilos para que acabem mais no meio.
7) Uma coisa que você mudaria em nosso campo.
Temos que mudar nossa MENSAGEM sobre nossa especialidade. ME é um sistema de cuidados. Não apenas um lugar no hospital onde alguns de nós trabalham. Jornalistas, escritores de ciência, políticos, legisladores, ainda não entendem o que é ME e por que é importante. Toda vez que alguém comete um erro sobre o que é ME, ou mistura cirurgia de trauma com ME, ou diz que o o departamento de emergência é a parte mais cara do nosso sistema de saúde, ou diz que somos apenas uma ‘rede de segurança’ (que é uma mensagem ruim, é negativo, não é positivo), nossos especialistas líderes precisam entrar aí e educá-los. Este é um problema mundial. (Se alguém que ler isso tiver uma frase melhor para nossa mensagem, me avise).
8) Algo que você ama que tenha impactado indiretamente sua carreira em Medicina de Emergência.
VIDA, FAMÍLIA, UM BOM VINHO e PISCO SOURS.
Original: http://www.emdocs.net/em-collective-wisdom-judith-e-tintinalli/
Tradução Livre por Jule Santos

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