Algoritmos de Via Aérea

Ler algoritmo sem motivação parece uma tarefa chata, e nossa intenção não é que vocês decorem sequências e setas, mas que consigam através de uma organização clara, feita por gente que estudou muito e vivenciou o manejo da via aérea na emergência, entender as opções que temos em cada situação. Acredite em mim, intubar um paciente grave é um plano estratégico com várias etapas, mesmo com pouco recurso, que precisa de prática para treinar o mindset. 

Quando é que vou usar a máscara laringea? Qual é o momento de partir para a crico cirúrgica?


Acompanhe os algoritmos, leia no livro do Walls o capítulo 3 para entender cada passo, e imagine cada situação.


Veja abaixo nossos algoritmos:

Você também pode baixar as imagens aqui:

ER Cast 06: Hipercalemia

Siiiiim, depois de tanto tempo esperando pelo próximo episódio, estamos enfim de volta! Nesse episódio discutiremos uma das alterações eletrolíticas mais frequentes e importantes do PS: a hipercalemia. Ponha seus fones de ouvido e ouça agora o que o excesso de potássio pode causar.
Convite para o Grupo do Telegram do Emergência Rules:
https://t.me/joinchat/DB0Q5xbfbYZK-W97vwY2JQ

Minutagem:
-02:50 Criação do grupo Emergência Rules
-04:11 Introdução Hipercalemia
-07:17 Causas Hipercalemia
-12:28 Quadro Clínico
-13:57 Exames a serem solicitados
-15:37 Eletrocardiograma na Hipercalemia
-24:54 Tratamento
-30:16 Gluconato de Cálcio
-39:00 Solução Polarizante
-46:08 Beta 2 Agonistas
-48:18 Bicarbonato de Sódio
-52:02 Diuréticos de alça
-54:30 Resina de Troca
-56:55 Diálise
-58:13 Ringer Lactato
-59:59 Caso Clínico Final
-01:05:40 Leitura de E-mails

Rabdomiólise

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Paciente 25anos, queixando de dor muscular intensa, fraqueza de membros inferiores limitando deambulação e urina cor de “coca-cola”. É previamente hígido, atleta e há 1 semana mudou o treino de musculação para maior intensidade. Nega uso de substancias ilícitas, anabolizantes, álcool ou tabagismo. Os sinais vitais estão normais, e não tem alteração ao exame físico.

-> Qual a principal hipótese diagnóstica e tratamento?


Resposta: Rabdomiólise

Rabdomiólise é o resultado da destruição e necrose muscular, levando à elevação dos níveis de creatinoquinase (CK) e mioglobinúria.

O diagnóstico de rabdomiólise é estabelecido por uma elevação acentuada nos níveis séricos da creatina quinase (CK normalmente superior a 10.000 UI / L) e outras enzimas musculares. Embora a CK do soro também aumente no infarto agudo do miocárdio, os pacientes com rabdomiólise isolada não têm um aumento detectável nos níveis séricos de troponinas e não tem dor torácica ou sinais sugestivos no ECG. Os sintomas e sinais clínicos em geral são inespecíficos e muitas vezes podem estar ausentes.

Outro sinal característico de rabdomiólise é mioglobinúria, que é sugerida pela coloração avermelhada e persistente da urina. No entanto, a mioglobinúria pode estar ausente em pacientes com insuficiência renal ou naqueles que se apresentam na fase tardia do processo

As diferentes causas de rabdomiólise podem ser divididas em três categorias:

  • Traumáticas e compressivas (mais comuns)
  • Atividade muscular excessiva
  • Outras (drogas, infecção, miopatias, endócrinas…)

A rabdomiólise pode ocorrer em indivíduos com musculatura normal quando o fornecimento de energia para o músculo é insuficiente para atender à demanda. Dessa forma, ela pode surgir com um esforço muscular extenuante, principalmente quando um ou mais dos seguintes fatores de risco estiverem presentes:

•Condicionamento físico ruim;
•Atividades físicas em lugares extremamente quentes e úmido;
• Quando a perda normal de calor através do suor é prejudicada, como ocorre com o uso de medicamentos anticolinérgicos.

 

• Traço Falciforme em um indivíduo que exerce atividade em grande altitude, um cenário em que a diminuição da pressão parcial de oxigênio provoca falcização eritrocitária e oclusão vascular com subseqüente isquemia muscular;

• Hipocalemia. Durante o exercício, há normalmente um aumento adequado na perfusão muscular, secundário à vasodilatação local, para atender às demandas de energia. Esta resposta é mediada em parte pela liberação de potássio das células do músculo esquelético. No entanto, a liberação celular de potássio é prejudicada pela hipocalemia. Como resultado, há um menor aumento no fluxo de sangue, possivelmente resultando em cãibras, necrose isquêmica, e rabdomiólise;

A causa de rabdomiólise deve ser corretamente identificada e, se possível, tratada especificamente.

Fisiopatologia: Lesão do músculo esquelético => conteúdo intracelular vaza para o plasma => anormalidades eletrolíticas / acidose (aumento K / ácido úrico / fosfato, diminuição Ca / album => aumento tardio fos / Ca); arritmias cardíacas; IRA / insuficiência renal (não bem entendida; até 1/3 dos adultos); desidratação; síndrome compartimental; CIVD; Parada respiratória.

Fatores de risco comuns: Excesso de atividade muscular / imobilização com compressão externa; medicamentos (antipsicótico / BZDs / estatina / salicilato / anti-histamínico); drogas ilícitas (EtOH / opióides / cocaína / anfetaminas / PCP / LSD / cafeína); infecção (vírus, bactérias); trauma (fraturas / síndrome compartimental / esmagamento / queimaduras); distúrbio metabólico (baixo K / fos / Na); insolação; distúrbio metabólico hereditário (especialmente em episódios recorrentes).

 

Apresentação: Considerar em pacientes com fraqueza generalizada / mialgias ou rigidez / dor significativa desproporcional ao exame / urina escura; um diferencial para o paciente inconsciente/alteraçao do estado mental. Sintomas musculoesqueléticos nem sempre estão presentes. Náuseas, vômitos e dor abdominal podem ocorrer se forem graves. A encefalopatia urêmica também pode resultar em alteração do estado mental.

LABS: hemograma completo, função renal, testes da função hepática, ácido úrico, coags, CK (limite máximo de 5x do normal), ECG, painel CIVD, EAS (+ sangue com poucos ou nenhuns glóbulos vermelhos)

O CK normal é 20-260 U / L. Estes níveis aumentam dentro de 12 horas de lesão, com pico 1-3 dias. Os níveis diminuem 3-5 dias após a lesão. O nível máximo de CK pode estar associado com insuficiência renal, especialmente níveis> 5000.

Manejo: ABCs; identificar etiologia; Ressuscitação de volemica (manter diurese 200-300 mL / h – quantidade total não bem definida) / corrigir eletrólitos (foco em K elevado); diuréticos de alça / alcalinização urinária (controverso, mas pode ser considerada em casos com CK> 5000, lesão por esmagamento, aumento da CK e pH urinário <6,5) / manitol (pode piorar oligúria e desidratação) / acetazolamida / antioxidantes (controversa); hemodiálise PRN.

Complicações: Insuficiência renal, hipercalemia, hipocalcemia (estágios iniciais), hipercalcemia (recuperação), CIVD, síndrome compartimental, lesão nervosa.

Os pacientes podem receber alta se estiverem com estado geral bom e não tiverem comorbidades, rabdomiólise por esforço e diminuição da CK total. Outros pacientes devem ser admitidos.

 

– Etiologia da rabdomiólise

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Referências:

– EM@3AM – Rhabdomyolysis: http://www.emdocs.net/em3am-rhabdomyolysis/

http://www.medportal.com.br/blog/blog/rabdomiolise-manifestacoes-clinicas-causas-e- diagnostico/

http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/26566/1/FredericoLOliveira.pdf

https://actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/viewFile/1032/700


 

Por Jule Santos,

&

Carlos Carlos Augusto Almeida Correa
Médico formado pela Universidade de Brasília em 2004, pós-graduaçao em Terapia Intensiva pela Universidade Gama Filho 2007. Título de Clínica Médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica  (SBCM) e certificado de atuação em Medicina de urgência (SBCM). Médico clínico geral do Hospital Regional do Gama -DF desde 2006 e do serviço médico do Tribunal de Justiça do DF, desde 2009. Preceptor do internato da Faciplac desde 2017.

ASMÁTICO EM COLAPSO

Caso: homem de 45 anos de idade com antecedentes médicos conhecidos de asma chega ao Departamento de Emergência via SAMU com queixa principal de dificuldade para respirar.

Sinais Vitais: PA 80/57 FC 146 FR 45 Sat 91% no ar ambiente

O SAMU já forneceu: terapia com beta agonista, terapia com oxigênio e hidratação venosa

TRADUÇÃO LIVRE: REBEL EM : http://rebelem.com/rebelcast-crashing-asthmatic/#ITEM-3630-10

Asma aguda severa, formalmente chamada de Status Asmático, é definido como um quadro de asma severo não responsivo a repetidas doses de beta-agonistas ou adrenalina subcutanea. É uma emergência médica que requer reconhecimento imediato e tratamento.

Recentemente, Anand Swaminathan (Twitter: @ EMSwami) fez uma palestra para os residentes do Centro de Ciências de Saúde da Universidade do Texas em San Antonio (UTHSCSA) em fevereiro de 2015. Este post é um resumo da palestra sobre como manejar o asmático em colapso.

SUMÁRIO DAS MEDIDAS HERÓICAS NO MANEJO DA ASMÁTICO EM COLAPSO

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