Aula o Mindset do Emergencista: Inspirese SP

Para ouvir: Are you gonna be my girl, Jet

E pra começar essa missão de inspirá-los sobre a nossa carreira na Medicina de Emergência, vou contar pra vocês, a partir da minha vivência, como é que pensa um Médico Emergencista. O que faz essa especialidade ser única. Afinal, o que é um médico emergencista, onde eles vivem, o que eles comem, como eles dormem? E olha, existe uma lenda que não dormimos….

Bom,

Somos diferentes:

Pra começar nossa especialidade é aquela que precisa estar preparada para receber pacientes a qualquer momento. O Departamento de Emergencia não pode fechar nunca! Não tem feriado, não tem jogo da final, não tem final de semana. Porque as pessoas não escolhem quando vão ficar doentes, sofrer um trauma, ou ter um infarto…

Qualquer, com qualquer coisa a qualquer hora. 

Atendemos pacientes de qualquer idade, de zero dias a mais de 100 de idades, com qualquer queixa, trauma, infarto, sepse… Qualquer causa AGUDA, é nossa aérea. Foi daí que surgiu a famosa frase:

Somos os 15 minutos mais interessantes de todas as outras especialidades. 

E enquanto as outros especialistas estão sempre se perguntando o que esse paciente tem. Nós Emergencista primeiro nos preocupamos com:

O que o paciente precisa?

Agora, em 5 minutos, em uma hora… Muitas vezes o diagnóstico especifico vai ser muito secundário em nossa avaliação e ação. Queremos primeiro saber o quão grave o paciente está para agirmos.

Precipício

Eu gostei muito dessa analogia que o Dr Peter Rosen, um dos pais da Medicina de Emergencia mundial, usou em “The biology of Emergency Medicine” para o Journal of the American College of Emergency Physicians em 1979: o papel da Medicina de Emergencia é pegar o alpinista que está caindo de um precipício, e devolver ele ao topo, tão seguro quanto conseguirmos deixá-lo, mas não necessariamente devolver ele para a segurança da terra firme, assim como também não importa o que fez ele cair… Nesse momento é mais importante tirar ele do risco iminente de morrer da queda, do que saber se a corda rompeu ou se ele foi jogado.

Nesse mesmo parágrafo, dr Rosen fala também que uma das característica do Médico Emergencista é lidar com vários pacientes aos mesmo tempo.

SUS

Um pensamento perfeito para quem quer trabalhar no SUS. (risos) Essa não foi uma foto tirada por mim, entrei no google e digitei pronto socorro. Essa é a realidade da maioria das emergências do Brasil. 

Nós precisamos fazer o nosso melhor, com o que nós temos. O sistema precisa mudar. Precisamos melhorar muito. Mas, enquanto isso, o paciente precisa ser atendido. Então acho bem interessante como a medicina de emergencia pode ter suas peculiaridades de acordo com cada país, ou região… 

Meu plantão começa assim: primeiro eu tenho em mente que qualquer coisa pode acontecer. Pode chegar um ou dois pacientes parados ao mesmo tempo. Um trauma grave. Enfim, eu preciso ter isso em mente, principalmente quando estou na sala vermelha porque nós precisamos de espaço. Então meu segundo foco é dar alta o mais rápido possível. Ou alta pra casa, ou internar na enfermaria ou transferir o paciente para UTI. Então durante a passagem de plantão vou tendo uma ideia da gravidade e das prioridades dos pacientes, já vou corrigindo as instabilidades e tomando decisões. E então as demandas vão aparento junto com os pacientes que já estão lá. A enfermeira da porta vem me mostrar um ECG de um paciente que está com dor no peito. Saiu a vaga de UTI e a enfermeira quer saber se vamos subir o paciente direto, ou se vamos passar na tomografia primeiro. Tem um paciente em insuficiência respiratória que não está respondendo a VNI e a fisioterapeuta quer saber se vamos intubar primeiro ou se vamos subir o paciente para o UTI. Nesse momento o laboratório liga e avisa que o paciente Seu José atendido na madrugada, veio com a troponina de 2,435. E agora? Você tem que lidar com todas essas variáveis. E aqui eu vou um pouco mais além do que o Dr. peter Rosen, nós temos que lidar com todos esses pacientes ao mesmo tempo, mas o que nós somos realmente bons é em priorizar ação. Enquanto vamos avaliando cada demanda, decidimos qual passo vamos seguir primeiro, e então nos deveríamos nos dedicar inteiramente para aquela tarefa naquele momento. Ninguém faz bem mil coisas ao mesmo tempo. 

E eu acho muito interessante como a Medicina de emergencia se aproxima muito dessa filosofia das artes marciais. Nós precisamos de mindfulness, ter ciência e controle do nosso ambiente externo e interno. A emergencia é, na verdade, um caos controlado.

E é interessante ver como existe essa cultua na Medicina de Emergencia, de simulação, pratica deliberada, visando qualidade e segurança ao paciente.

Precisamos treinar, treinar e treinar para sermos o melhor possível para aprender lidar com esse caos controlado, tratando o paciente extremamente grave, para tentarmos amenizar o pior dia da vida deles.

“Eu não tenho medo do homem que praticou 10.000 chutes diferentes, mas sim do homem que praticou o mesmo chute 10.000 vezes.” – Bruce Lee

A Medicina de Emergência é incrível. Eu sou apaixonada pela adrenalina de lidar com os desafios intelectual e emocional de tentar salvar vidas. Nós somos uma tribo com uma energia característica, criatividade marcante e amor sem igual pela medicina. Mas não se enganem, somos bem doidos. 

Medicina de Emergência hoje no Brasil? Sim! Alguém precisa dar o primeiro passo, se algo não acontece no seu pronto socorro, se as pessoas não fazem debriefing após uma PCR, se as pessoas não compartilham os planos da intubação em voz alto com a equipe, comece você. Se as pessoas não se preocupam com a organização do departamento de emergencia, comece você. 

E se você sentir o chamado pela Medicina de Emergência e as pessoas te chamarem de louco… bem…

“Here’s to the crazy ones, the misfits, the rebels, the troublemakers, the round pegs in the square holes… the ones who see things differently — they’re not fond of rules… You can quote them, disagree with them, glorify or vilify them, but the only thing you can’t do is ignore them because they change things… they push the human race forward, and while some may see them as the crazy ones, we see genius, because the ones who are crazy enough to think that they can change the world, are the ones who do.”

Steve Jobs, US computer engineer & industrialist (1955 – 2011)

Meu conselho final é esse: Se você for uma boa pessoa, se for gentil, se usar empatia, se cultivar bons amigos, e acreditar em você mesmo, se for doido o suficiente, e ainda por cima, se for emergencista, com certeza, você pode mudar o mundo! Basta começar! E mudar o mundo, pode ser salvar uma vida, pode ser mudar o seu ambiente ou o mundo inteiro mesmo. E vocês já deram o primeiro passo por estarem aqui hoje.

Obrigada a todos.

Referências:

Como Apresentar um Caso na Emergência

Tradução livre de: https://emupdates.com/present/

O principal desafio como interno/residente ao apresentar um paciente ao supervisor/preceptor é que cada preceptor é diferente, quer coisas diferentes, tem uma abordagem diferente, o que torna seu trabalho impossível. Você se dará bem se tiver um sistema. Aqui está um sistema:

Antes de apresentar o caso em mãos, esteja atualizado com o que está acontecendo com seus outros pacientes. Como eles estão? O que estão esperando? Agora você está pronto para começar com o caso atual.

Primeiro resuma. Comece com um resumo muito breve de uma frase sobre o caso, junto com a sua conclusão. Isso enquadra tudo o que você está prestes a dizer.

“Acho que a senhora Jones está com pneumonia.”

Acho que o Sr. Smith precisará de uma tomografia computadorizada para descartar apendicite.”

Acho que o Sr. Lee precisará de um exame para avaliar a dor no peito, sendo negativo poderá ser tratado como um paciente ambulatorial.”

A seguir, a queixa principal.

“Sr. Jones é um homem de 34 anos com dor abdominal. ”

história médica pregressa vem em seguida, sendo que o mais importante vem primeiro.

“Ele fez um transplante de rim em 2004 por doença renal policística. Ele também tem diabetes e hipertensão. ”

Uso de medicamentos importantes, detalhes especialmente importantes são alterações recentes nos medicamentos ou não conformidade e alergias relevantes a medicamentos.

“Ele usa ciclosporina e micofenolato, além de gliburida, amlodipina e hidroclorotiazida. Sua dose de amlodipina foi recentemente duplicada. Ele relata uma alergia à penicilina, que lhe dá uma erupção cutânea.”

A situação social vem a seguir, quando for pertinente à situação atual. Isso geralmente é omitido, mas a situação social desempenha um papel importante nas decisões de admissão/alta; como você pode dar alta a um paciente sem conhecer o ambiente para o qual está recebendo alta?

Com quem o paciente mora? (sozinho/com a família/com o cônjuge, que também tem demência avançada)

Em que tipo de ambiente o paciente reside? (apartamento/asilo/casa de repouso/sem teto)

O que o paciente faz durante o dia? (trabalha como administrador/é pianista canhoto/está desempregado / é estudante)

Qual é o estado funcional do paciente? (totalmente funcional / capaz de executar algumas tarefas sozinho, mas nem todas/ totalmente dependente)

Quanta ajuda o paciente tem em casa? (Técnico de saúde em casa 24 horas por dia, 7 dias por semana / técnico de saúde em casa duas vezes por semana, durante 6 horas / visitando todos os dias)

Hábitos ruins? (drogas, álcool, cigarro. história de abstinência)

Ele tem médicos que o acompanham? Se o paciente foi encaminhado para o Departamento de Emergência por um médico, isso é particularmente importante. Se houver médicos que desempenhem um papel particularmente relevante na presente situação, relate isso. Cuidar de pacientes é um esporte de equipe.

O paciente possui diretrizes avançadas? Quais são os objetivos do atendimento?

“Ele mora com a esposa, trabalha como motorista de ônibus. Nega maus hábitos. Deveria fazer acompanhamento o Dr. Green no serviço de transplante renal no Heartbreak Hospital, mas não o vê há seis meses. “

A seguir, é um bom lugar para comentar as visitas anteriores ao DE.

“Ele nunca esteve neste departamento.”

“Ele tem 48 visitas semelhantes a este departamento, foi extensivamente avaliado dezenas de vezes.”

A seguir, é apresentada a história da doença atual. E deve começar com “[O paciente] estava em seu estado de saúde habitual até…” e, em seguida, fornecer uma sequência cronológica de eventos que o levaram à presente consulta; a primeira parte da HDA deve relatar todas as queixas do paciente, que foram levantadas com perguntas abertas, e terminar com as queixas que levaram à sua chegada ao pronto-socorro e, depois, quais queixas ele tem neste momento. A próxima parte do HDA é a revisão focada dos sistemas, que você pode delinear a partir do que o paciente oferece sem solicitar, usando frases como ‘questionado’, ‘afirma’ e ‘nega’. Essa não é uma revisão completa de sistemas, mas uma revisão focada de sistemas com positivos pertinentes seguidos por negativos pertinentes. Uma boa maneira de encerrar o HDA é comentar os episódios anteriores.

“Sr. Jones estava em seu estado de saúde habitual até três dias atrás, quando desenvolveu dor periumbilical fraca que era intermitente, mas progressiva até esta manhã, quando desenvolveu vômito e a dor se tornou constante, mais acentuada e migrou para o quadrante inferior direito. Ele foi ao médico de família, que o encaminhou para o departamento de emergência. No momento, ele se queixa de dor e náusea no quadrante inferior direito. Ao questionar, ele afirma diarréia e calafrios, mas nega muco ou sangue nas fezes, viagens recentes ou antibióticos, nega queixas urinárias ou testiculares, falta de ar e erupção cutânea. Ele teve um episódio semelhante, muito menos grave, há alguns meses atrás, que se resolveu em um dia por si só.”

Após a HDA, vem o exame físico, que deve sempre começar com o estado geral e sinais vitais e, em seguida, da cabeça aos pés, com um nível de detalhe apropriado ao seu nível de treinamento. Eu acho melhor deixar a área de interesse para o final.

“o senhor Jones tem um bom estado geral, está calmo e levemente desconfortável com dor abdominal. Seus sinais vitais são normais, exceto por uma frequência cardíaca de 106. O exame da cabeça aos pés não mostra resultados sobre a cabeça, pescoço, coração, pulmões e extremidades. Seu abdômen é moderadamente sensível no quadrante inferior direito, sem sinais de peritonite. O exame de GU é normal.”

Agora você terminou a história e exame físico, e a próxima pergunta é o que já foi feito para o paciente, se é que foi, e os resultados.

“Ele foi medicado com 4 mg de morfina IV e 4 mg de ondansetron IV, e foram coletados hemograma completo, bioquímica, enzimas hepáticas e lipase, além de uma análise de urina, de acordo com o protocolo para dor abdominal. Ele estava desconfortável quando o avaliei, então pedi mais 4 mg de morfina intravenosa. O EAS foi obtido e mostra vestígios de sangue, todos os outros estudos estão pendentes. ”

E agora sua avaliação e seu plano. Eu acho a melhor maneira é fornecer um resumo dos principais pontos chaves do caso e, em seguida, responder a estas perguntas:

  • O que você acha que o paciente tem?
  • Quais condições ou complicações perigosas podem estar causando ou estar associadas aos sintomas desse paciente?
  • Quais exames são indicados para descartar ou diagnosticar nessas condições perigosas?
  • Que terapias ou medidas de alívio dos sintomas são necessárias?
  • Se os exames solicitados forem negativos, qual é o plano para o paciente?


“Sr. Jones é um jovem saudável, com dor abdominal, diarréia e febre há 36 horas. Seu exame é tranquilizador, mas ele apresenta uma leve sensibilidade abdominal inferior. Provavelmente, o Sr. Jones tem uma doença gastrointestinal autolimitada, mas estou preocupado com apendicite. Obstrução intestinal e úlcera perfurada são improváveis, devido ao abdômen relativamente benigno. Dado um exame de GU normal, acho que não precisamos procurar uma lesão lá; sua sensibilidade abdominal torna improváveis ​​as causas torácicas de dor abdominal, como pneumonia ou etiologias cardíacas. Se os exames laboratoriais dele não mostrarem anormalidades no diagnóstico, acho que ele precisa de uma tomografia computadorizada do abdome com contraste para descartar apendicite. Se isso for negativo, acho que ele pode receber alta com um diagnóstico e acompanhamento não específicos. Ele está confortável agora, mas continuarei tratando os sintomas conforme necessário e também lhe darei um litro de fluidos “.

A maneira mais importante pela qual esse sistema difere do estilo de apresentação mais comuns é que o HDA seja apresentado após a apresentação das informações básicas do paciente. A maioria dos participantes desejará ouvir o HDA primeiro; Acredito que em um paciente estável, o HDA só possa ser interpretado adequadamente no contexto mais amplo da história médica do paciente, da história social etc.

A quantidade de detalhes que você apresenta depende da complexidade do caso e do seu tempo de treinamento. Se você estiver prestes a terminar a sua residência, talvez seu preceptor não queira ouvir nada além de “Sr. Jones é um homem saudável de 34 anos de idade com uma síndrome semelhante à gripe, que eu dei alta com acompanhamento. ”

SEPTEMBER 17, 2019 BY REUBEN

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Anatomia das Vias Aéreas

Por FELIPE AUGUSTO M. DE OLIVEIRA
JULE R O G SANTOS
Você indica intubação para um paciente com quadro de pneumonia, em franco desconforto respiratório, mesmo após tentativa de terapia com Ventilação Não Invasiva. Após indicada a intubação, avisada a equipe, você inicia a avaliação tentando identificar indícios de via aérea difícil, que possam te trazer dificuldades durante laringoscopia, passagem do tubo, ventilação de resgate com BVM ou uso de dispositivo supraglótico ou em último caso, necessidade de realização de cricotieroidostomia cirúrgica.
  • O quanto você reconhece da anatomia da via aérea superior? Por que é tão importante reconhecer minuciosamente essas estruturas?

Você sabe que identificar dificuldades e distorções da anatomia te ajuda no planejamento dos seus planos de ação.

Após essa avaliação minuciosa você conclui que o paciente não apresenta critérios para via aérea anatomicamente difícil. Você inicia pré-oxigenação adequada, feito o indutor e o relaxante muscular, você passa o laringoscópio e a visualização é de difícil definição.

Anatomia das Vias Aéreas- revisao jule

Fonte: Google Imagens

Conhecer a anatomia exata da via aérea, é a primeira habilidade necessária para um bom manejo da via aérea na emergência. Assim se você for forçado a usar técnicas de intubação às cegas (principalmente quando temos limites de equipamentos) será com maior segurança, sem correr risco de lesar o paciente e terá maiores chances de sucesso.  Continuar lendo “Anatomia das Vias Aéreas”

Vida de Residente com Ian Ward

VIDA DE RESIDENTE 

Com Ian Ward Abdalla Maia, Residente do 3 ano de Medicina de Emergência do Hospital das Clínicas de Porto Alegre. 

Nascido no Rio de Janeiro, Ian é um dos emergencista mais maneiro que já tive a honra de conhecer. Sua tranquilidade transpassa a gente de uma forma tão suave, que a gente mal percebe a zoação. Ele tem uma percepção muito interessante da vida e da medicina, tão jovem e cheio de saber. Seu brilho nos olhos pelo amor à emergência nos contagia. 

Conhecido como “coaching da ketamina” e tiozão do flumazenil, depois que você falar com ele, vai ter certeza que a Medicina de Emergência é a Especialidade do futuro (mas fuja do Rio de Janeiro).

PÉROLAS DE SABEDORIA DO RESIDENTE:

# O que você mais gosta na residência de medicina de emergencia ?

– Somos poucos mas somos UNIDOS ! A residência médica é um ambiente hostil mas dentro da emergência não há espaço para egos, então somos muito unidos e preocupados uns com os outros.

# Algo que mudaria da residência ?

– Precisamos otimizar o ensino em Gestão ! Alguns de nos saem da residência como chefes de serviço e durante a residência mal falamos sobre como gerir e o fluxos da emergência. Mas, felizmente isso esta mudando !! Esse ano é o primeiro ano do R4 em GESTÃO !

# Algo que você faz, que não tem nada haver com medicina, mas que tem impacto indireto na construção da sua carreira profissional ?

– Socrates já dizia que uma vida que não é examinado não merece ser vivida ! Ou seja, viver é bem mais que trabalhar. Viver é atuar socialmente. Viver é reconhecer os erros. E em algum ponto da nossa jornada parece que a gente se perde e esquece o que é viver. Gosto muito de fotografia, filmes antigos, filosofia e pratico yoga diariamente, isso me torna uma pessoa mais centrada e com empatia. A medicina NUNCA vai definir minha personalidade e quem eu sou ! Não podemos deixar que uma profissão tome conta da nossa vida. 

#O que você espera, de forma bem otimista, da nossa especialidade?

– “ I HAVE A DREAM “ , olha eu realmente espero que a emergência seja povoada por emergencistas. Nos não estamos de passagem.. Nos amamos o que fazemos e escolhemos isso como especialidade. Assim como a terapia intensiva, a Medicina de emergência tem um longo caminho a se percorrer, até ter seu espaço bem definido. Mas, percebo que os olhos dos grandes centros já perceberam nosso valor e estamos sendo englobados pelos grandes serviços.

Daqui dez anos vou atrás dele e refazer essas perguntas, vamos ver o quanto vai mudar!

Obrigada Ian!

Medicina de emergência: uma especialidade única

Por:  Will Sanderson, Danny Cuevas, Rob Rogers

Tradução livre por: Rebeca Bárbara, estudante de Medicina

Imagine você entrando no hospital para começar o seu dia – as ambulâncias com as sirenes ligadas, a sala de espera clamando, bebês chorando. Você passeia por esse mar de humanidade e, eventualmente, chega ao seu posto de trabalho. Depois de guardar sua bolsa, você prepara suas ferramentas básicas: um estetoscópio, uma xícara de café e uma mente afiada. Respirando fundo, se prepara para a rotina de mais um plantão. Mas não há “rotina”. Há apenas a excitação e a variedade do que está prestes a entrar por aquelas portas duplas deslizantes. Aquela frágil peça de metal e vidro é a única barreira que separa você das milhares de pessoas com uma  infinidade de doenças, qualquer uma das quais poderia trazê-las à sua porta. Com um zumbido baixo e um quase silencioso assobio, essas portas se abrem para revelar seu próximo paciente. Para eles, é provavelmente o pior dia das suas vidas. Para você, é outra terça-feira.

Quem será seu próximo paciente? É o menino de 4 anos de idade com o ataque de asma ofegante pela próxima respiração? Será o viúvo de 78 anos que caiu em casa enquanto preparava um sanduíche? Talvez seja a mulher de 31 anos que acabou de bater em outro veículo na velocidade da via; ah, eles também mencionaram que ela está grávida de 28 semanas? Você olha e vê novos pacientes preenchendo as salas de exame e a sala de trauma. Não importa o que passe por essa porta, você estará pronto. Você se senta. Pega um prontuário. É hora de começar a trabalhar. Hoje vai ser outro dia rotineiramente incrível.

Por que escolher uma carreira em Medicina de Emergência(ME)? Antes de discutir onde a especialidade está indo, é importante saber um pouco sobre onde ela está. E se você está lendo isso e considerando uma carreira na ME, faça um favor a si mesmo – aproveite para assistir a este documentário da Emergency Medicine Residents’ Association (EMRA). Como você verá, a especialidade medicina de emergência evoluiu drasticamente nas últimas décadas e continua sendo uma escolha cada vez mais popular entre os estudantes de graduação em medicina. Apenas algumas décadas atrás, departamentos de emergência em todo o país eram formados por médicos com uma variedade de formações. A grande maioria desses médicos tinha pouco ou nenhum treinamento em medicina de emergência. Cirurgiões gerais, médicos de família, neurologistas e até mesmo psiquiatras estavam entre os que trabalhavam em departamentos de emergência(DE) em todo o país e em todo o mundo. Mas desde o estabelecimento dos primeiros programas de residência em medicina de emergência nos anos 70 e o subsequente estabelecimento do Conselho Americano de Medicina de Emergência em 1979, a especialidade continuou seu rápido desenvolvimento ao definir seu lugar na casa da medicina. Entre em qualquer em qualquer um dos menores DEs hoje em dia e você provavelmente encontrará um médico treinado em uma residência de medicina de emergência. Um estudo publicado em 2008 demonstrou que, em seu histórico relativamente curto como uma especialidade médica reconhecida, o número de departamentos de pessoal médico em todo o país que receberam treinamento em medicina de emergência disparou de 0% para 70%. Por que a mudança dramática? Para entender a resposta a essa pergunta, você precisa dar uma olhada mais profunda na prática e no estilo de vida do moderno médico de medicina de emergência.

Por quê Medicina de Emergência?

A medicina de emergência é uma especialidade de ritmo acelerado, de trabalho em equipe, dinâmica que se concentra na avaliação e tratamento rápido de uma população diversificada de pacientes, composta por ambos pacientes pediátricos e adultos. Como o primeiro médico de muitos dos seus pacientes, o médico emergencista é encarregado da avaliação rápida e coleta de dados necessários para iniciar o manejo de uma ampla variedade de queixas que levaram os pacientes ao departamento de emergência. Seu trabalho tem uma incrível influência no cuidado do paciente, pois gera a força motriz para a avaliação médica posterior; quer o paciente seja internado ou tenha alta hospitalar, o médico emergencista desempenha um importante papel na orientação de cuidados de curto e longo prazo, logo após a sua estadia no departamento de emergência. Aqui tem um vislumbre nas vidas de vários médicos emergencista por Rob Orman, do ERcast. Variedade é o tempero da vida na ME. Não há rotina definida ou lista de pacientes esperados para o dia. No curto período de um turno, você pode diagnosticar faringite por estreptococos, intubar um paciente que não responde devido overdose de heroína, revelar um diagnóstico de câncer a um paciente jovem com sintomas semelhantes aos da gripe, reduzir um quadril deslocado, colocar um dreno torácico em um paciente com um hemotórax e ressuscitar um paciente em parada cardíaca. Seu próximo paciente pode ser um menino de seis anos ou um de 75 anos, ambos com dor abdominal. Em um cenário onde alguns podem ver o caos, os médicos emergencistas encontram a ordem. É emocionante. É energizante. Essa diversidade é um aspecto singularmente desafiador da medicina praticada no departamento de emergência.

Os médicos emergencistas buscam em uma base de conhecimento que abrange todas as especialidades médicas, incluindo pneumologia, cardiologia, gastroenterologia, cirurgia do trauma, nefrologia, oftalmologia, psiquiatria e neurologia. Conhecedor de tudo? Certo. Mestre de nenhuma? Nem mesmo perto. A lacuna entre as especialidades médica e cirúrgica é preenchida dentro da prática da medicina de emergência. A combinação de uma ampla base de conhecimento com a necessidade de desenvolver um conjunto de habilidades de procedimento focado faz do médico emergencista um verdadeiro canivete suíço dentro da medicina. Da intubação endotraqueal, cricotireoidostomia, redução de fratura e punção de acesso central até a pericardiocentese, torascotomia, colocação de dreno torácico e cantotomia lateral, até mesmo o mais entusiasta dos “procedimentista” vai se achar sobrecarregado trabalhando no Departamento de Emergência (DE).

Variedade é uma palavra que não apenas define a prática da medicina de emergência, mas também o estilo de vida que ela oferece. Você é uma pessoa matinal que acorda de madrugada e pensa melhor com uma mente renovada depois do café da manhã? Ou você é uma coruja da noite que recebe uma explosão de energia nas primeiras horas da noite, quando a maioria das outras pessoas está dormindo? Você é um guerreiro de fim de semana que prefere manter sua agenda aberta nesses dias? Ou prefere trabalhar durante o dia para terminar a tempo de pegar seus filhos depois que eles terminarem o dia na escola? Independentemente da sua preferência, o trabalho por turnos no departamento de emergência oferece um nível de flexibilidade que não é visto em outras especialidades médicas. Médicos de emergência gerenciam a agitação de seu departamento por um determinado número de horas, após o que uma nova equipe médica chega para assumir o controle. Após o seu plantão, o médico anterior entrega os cuidados de seus pacientes para a nova equipe que chega para continuar o manejo diagnóstico e terapêutico do paciente. Sendo assim, você pode se trocar, assinar a saída e ir para casa sem levar qualquer parte do trabalho com você. A natureza do trabalho por turnos também permite a troca de turnos entre os próprios médicos que trabalham no departamento de emergência. Quer uma semana de folga em abril para passar algum tempo na praia? Desde que você planeje com antecedência, você não terá problemas para chegar lá. Com planejamento suficiente, é bem possível estar em quase todos os eventos importantes da vida / família que você escolher.

Dentro do campo da especialidade medicina de emergência, os médicos podem ser empregados em vários contextos. Esses contextos variam desde DE baseados em hospitais ou autônomos, instalações de cuidados urgentes, unidades de observação médica, serviços de resposta rápida de emergência e até locais de telemedicina. O volume dos pacientes atendidos, mesmo em instalações próximas umas das outras, pode variar muito. Algumas instalações são designadas como centros de trauma, enquanto outras não são. Há instalações em associação com um forte centro acadêmico que fornece suporte para várias subespecialidades e outras são hospitais comunitários com recursos limitados. Não importa qual seja a sua preferência, existe uma variedade de configurações para atender às suas necessidades. Mas vamos para a verdadeira questão em pauta: os médicos emergencistas estão satisfeitos com sua carreira? Este é realmente o ponto crucial de qualquer discussão sobre a escolha de uma especialidade. Quão devastador seria perceber depois de passar mais de uma década na faculdade de medicina e na residência que trabalhar no departamento de emergência não é para você? Bem, em 2015, os médicos emergencistas ficaram em 4º na satisfação geral em comparação com outras especialidades médicas. 60% de todos os médicos emergencistas pesquisados ​​estavam satisfeitos com sua renda. Os médicos emergencistas geralmente trabalham mais intensamente por um número menor de horas em comparação com outros médicos e desfrutam de uma remuneração acima da média por hora. Abaixo, o Dr. Kevin King, do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, em San Antonio, discute os prós e contras de uma carreira em Medicina de Emergência: Prós e Contras de uma Carreira em Medicina de Emergência. Como você pode ver, a vida de um médico emergencistas  não é um ajuste perfeito para todos. Os médicos emergencistas sofrem de relativamente altas taxas de burnout. No entanto, à medida que o campo evolui e o bem-estar do médico se torna uma prioridade para todos os médicos dentro da medicina, isso certamente melhorará. Se as características descritas acima são consistentes com as qualidades que você está procurando em uma especialidade, a medicina de emergência pode ser o ajuste perfeito para você.

Referência: Sanderson W, Cuevas D, Rogers R. Emergency Medicine: A Unique Specialty. In:  Cevik AA, Quek LS, Noureldin A, Cakal ED (eds) iEmergency Medicine for Medical Students and Interns – 2018. Retrieved April 26, 2019, from https://iem-student.org/emergency-medicine-a-unique-specialty/

Revisado: Jule Santos, médica emergencista, fundadora do Emergência Rules, Supervisora Residência de Medicina de Emergência ESCS/DF, Vice-Presidente ABRAMEDE-DF

OBS.: Fique à vontade para comentar e sugerir correções. Estamos tentando traduzir para nossa língua o que de melhor já foi feita na Medicina de Emergência pelo mundo!!

Entrevista em ME 1

SABEDORIA Coletiva em Medicina de Emergência: Judith E. Tintinalli
Judith E. Tintinalli, MD, MS (Presidente emérita, Professora em Medicina de Emergência, na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill) // Editado por: Alex Koyfman, MD (@ EMHighAK) e Brit Long, MD (@ long_brit)
1) Por que ainda medicina de emergência?
Ei, eu realmente gosto mesmo disso! Trabalhei noite passada: nós atendemos doente atrás de doente, o plantão voou. Fazer diagnóstico na emergência ainda é desafiador. Todo plantão, aprendo algo novo. Tento novos tratamentos, novas técnicas. É um ambiente estimulante. E eu me surpreendo com as coisas que não sei, com coisas que esqueci, coisas que acho que deveria saber …
2) Caso mais impactante.
Foi no Hospital Beaumont, em Michigan. Plantão cheio, muitas crianças, fui ver uma criança que havia caído da bicicleta. Parecia bem. Então chequei ela mais ou menos uma hora depois – deterioração do estado neurologócio! Liguei para Alexa Canady urgentemente, eu disse Alexa, esse garoto tem um epidural agudo. Vou levá-lo eu mesma para a TC e te enconto no centro cirúrgico. Depois da TC (que eu não tive tempo de olhar), eu a encontrei no elevador com a criança na maca; nós dois estávamos a caminho do centro cirúrgico. A criança realmente tinha um hematoma epidural, e a rápida descompressão de Alexa o salvou.

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O começo

Toda vez que leio: um significado diferente: É como um abraço.
“Medicina de Emergência: a especialidade que invade os 15 minutos mais interessantes de todas as outras especialidades”
Por que somos diferentes?
Como enxergar a diferença entre a Medicina de Emergência e as outras especialidades médicas?
Nós trabalhamos em um ambiente diferente, em horários específicos e com pacientes mais especiais do que qualquer outra especialidade. Nosso lema poderia ser:
“Qualquer um, com qualquer coisa, em qualquer horário” 🙆🏽
Enquanto outros médicos se detém na pergunta:
– “O que esse paciente tem?”(isto é, “Qual o diagnóstico?”)
Médicos Emergencistas estão sempre pensando:
– “Do que esse paciente precisa?” Agora ou em 5 minutos ou em duas horas…
E isso envolve uma cabeça diferente? Sim, porque o conceito de manejar pacientes com sintomas e não com diagnósticos é quase alienígeno para a maioria dos nossos colegas médicos.
Sim, fazemos isso todos os dias, várias vezes durante cada plantão.
Toda vez que me apresento a um paciente, nunca sei em qual direção as coisas irão se encaminhar e por isso mesmo, às vezes sinto a necessidade de dar um aviso antes de começar:
Olá, Pessoa Desconhecida, eu sou o Doutor Joe Lex.

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