Anatomia das Vias Aéreas

Por FELIPE AUGUSTO M. DE OLIVEIRA
JULE R O G SANTOS
Você indica intubação para um paciente com quadro de pneumonia, em franco desconforto respiratório, mesmo após tentativa de terapia com Ventilação Não Invasiva. Após indicada a intubação, avisada a equipe, você inicia a avaliação tentando identificar indícios de via aérea difícil, que possam te trazer dificuldades durante laringoscopia, passagem do tubo, ventilação de resgate com BVM ou uso de dispositivo supraglótico ou em último caso, necessidade de realização de cricotieroidostomia cirúrgica.
  • O quanto você reconhece da anatomia da via aérea superior? Por que é tão importante reconhecer minuciosamente essas estruturas?

Você sabe que identificar dificuldades e distorções da anatomia te ajuda no planejamento dos seus planos de ação.

Após essa avaliação minuciosa você conclui que o paciente não apresenta critérios para via aérea anatomicamente difícil. Você inicia pré-oxigenação adequada, feito o indutor e o relaxante muscular, você passa o laringoscópio e a visualização é de difícil definição.

Anatomia das Vias Aéreas- revisao jule

Fonte: Google Imagens

Conhecer a anatomia exata da via aérea, é a primeira habilidade necessária para um bom manejo da via aérea na emergência. Assim se você for forçado a usar técnicas de intubação às cegas (principalmente quando temos limites de equipamentos) será com maior segurança, sem correr risco de lesar o paciente e terá maiores chances de sucesso.  Continuar lendo “Anatomia das Vias Aéreas”

Vida de Residente com Ian Ward

VIDA DE RESIDENTE 

Com Ian Ward Abdalla Maia, Residente do 3 ano de Medicina de Emergência do Hospital das Clínicas de Porto Alegre. 

Nascido no Rio de Janeiro, Ian é um dos emergencista mais maneiro que já tive a honra de conhecer. Sua tranquilidade transpassa a gente de uma forma tão suave, que a gente mal percebe a zoação. Ele tem uma percepção muito interessante da vida e da medicina, tão jovem e cheio de saber. Seu brilho nos olhos pelo amor à emergência nos contagia. 

Conhecido como “coaching da ketamina” e tiozão do flumazenil, depois que você falar com ele, vai ter certeza que a Medicina de Emergência é a Especialidade do futuro (mas fuja do Rio de Janeiro).

PÉROLAS DE SABEDORIA DO RESIDENTE:

# O que você mais gosta na residência de medicina de emergencia ?

– Somos poucos mas somos UNIDOS ! A residência médica é um ambiente hostil mas dentro da emergência não há espaço para egos, então somos muito unidos e preocupados uns com os outros.

# Algo que mudaria da residência ?

– Precisamos otimizar o ensino em Gestão ! Alguns de nos saem da residência como chefes de serviço e durante a residência mal falamos sobre como gerir e o fluxos da emergência. Mas, felizmente isso esta mudando !! Esse ano é o primeiro ano do R4 em GESTÃO !

# Algo que você faz, que não tem nada haver com medicina, mas que tem impacto indireto na construção da sua carreira profissional ?

– Socrates já dizia que uma vida que não é examinado não merece ser vivida ! Ou seja, viver é bem mais que trabalhar. Viver é atuar socialmente. Viver é reconhecer os erros. E em algum ponto da nossa jornada parece que a gente se perde e esquece o que é viver. Gosto muito de fotografia, filmes antigos, filosofia e pratico yoga diariamente, isso me torna uma pessoa mais centrada e com empatia. A medicina NUNCA vai definir minha personalidade e quem eu sou ! Não podemos deixar que uma profissão tome conta da nossa vida. 

#O que você espera, de forma bem otimista, da nossa especialidade?

– “ I HAVE A DREAM “ , olha eu realmente espero que a emergência seja povoada por emergencistas. Nos não estamos de passagem.. Nos amamos o que fazemos e escolhemos isso como especialidade. Assim como a terapia intensiva, a Medicina de emergência tem um longo caminho a se percorrer, até ter seu espaço bem definido. Mas, percebo que os olhos dos grandes centros já perceberam nosso valor e estamos sendo englobados pelos grandes serviços.

Daqui dez anos vou atrás dele e refazer essas perguntas, vamos ver o quanto vai mudar!

Obrigada Ian!

Medicina de emergência: uma especialidade única

Por:  Will Sanderson, Danny Cuevas, Rob Rogers

Tradução livre por: Rebeca Bárbara, estudante de Medicina

Imagine você entrando no hospital para começar o seu dia – as ambulâncias com as sirenes ligadas, a sala de espera clamando, bebês chorando. Você passeia por esse mar de humanidade e, eventualmente, chega ao seu posto de trabalho. Depois de guardar sua bolsa, você prepara suas ferramentas básicas: um estetoscópio, uma xícara de café e uma mente afiada. Respirando fundo, se prepara para a rotina de mais um plantão. Mas não há “rotina”. Há apenas a excitação e a variedade do que está prestes a entrar por aquelas portas duplas deslizantes. Aquela frágil peça de metal e vidro é a única barreira que separa você das milhares de pessoas com uma  infinidade de doenças, qualquer uma das quais poderia trazê-las à sua porta. Com um zumbido baixo e um quase silencioso assobio, essas portas se abrem para revelar seu próximo paciente. Para eles, é provavelmente o pior dia das suas vidas. Para você, é outra terça-feira.

Quem será seu próximo paciente? É o menino de 4 anos de idade com o ataque de asma ofegante pela próxima respiração? Será o viúvo de 78 anos que caiu em casa enquanto preparava um sanduíche? Talvez seja a mulher de 31 anos que acabou de bater em outro veículo na velocidade da via; ah, eles também mencionaram que ela está grávida de 28 semanas? Você olha e vê novos pacientes preenchendo as salas de exame e a sala de trauma. Não importa o que passe por essa porta, você estará pronto. Você se senta. Pega um prontuário. É hora de começar a trabalhar. Hoje vai ser outro dia rotineiramente incrível.

Por que escolher uma carreira em Medicina de Emergência(ME)? Antes de discutir onde a especialidade está indo, é importante saber um pouco sobre onde ela está. E se você está lendo isso e considerando uma carreira na ME, faça um favor a si mesmo – aproveite para assistir a este documentário da Emergency Medicine Residents’ Association (EMRA). Como você verá, a especialidade medicina de emergência evoluiu drasticamente nas últimas décadas e continua sendo uma escolha cada vez mais popular entre os estudantes de graduação em medicina. Apenas algumas décadas atrás, departamentos de emergência em todo o país eram formados por médicos com uma variedade de formações. A grande maioria desses médicos tinha pouco ou nenhum treinamento em medicina de emergência. Cirurgiões gerais, médicos de família, neurologistas e até mesmo psiquiatras estavam entre os que trabalhavam em departamentos de emergência(DE) em todo o país e em todo o mundo. Mas desde o estabelecimento dos primeiros programas de residência em medicina de emergência nos anos 70 e o subsequente estabelecimento do Conselho Americano de Medicina de Emergência em 1979, a especialidade continuou seu rápido desenvolvimento ao definir seu lugar na casa da medicina. Entre em qualquer em qualquer um dos menores DEs hoje em dia e você provavelmente encontrará um médico treinado em uma residência de medicina de emergência. Um estudo publicado em 2008 demonstrou que, em seu histórico relativamente curto como uma especialidade médica reconhecida, o número de departamentos de pessoal médico em todo o país que receberam treinamento em medicina de emergência disparou de 0% para 70%. Por que a mudança dramática? Para entender a resposta a essa pergunta, você precisa dar uma olhada mais profunda na prática e no estilo de vida do moderno médico de medicina de emergência.

Por quê Medicina de Emergência?

A medicina de emergência é uma especialidade de ritmo acelerado, de trabalho em equipe, dinâmica que se concentra na avaliação e tratamento rápido de uma população diversificada de pacientes, composta por ambos pacientes pediátricos e adultos. Como o primeiro médico de muitos dos seus pacientes, o médico emergencista é encarregado da avaliação rápida e coleta de dados necessários para iniciar o manejo de uma ampla variedade de queixas que levaram os pacientes ao departamento de emergência. Seu trabalho tem uma incrível influência no cuidado do paciente, pois gera a força motriz para a avaliação médica posterior; quer o paciente seja internado ou tenha alta hospitalar, o médico emergencista desempenha um importante papel na orientação de cuidados de curto e longo prazo, logo após a sua estadia no departamento de emergência. Aqui tem um vislumbre nas vidas de vários médicos emergencista por Rob Orman, do ERcast. Variedade é o tempero da vida na ME. Não há rotina definida ou lista de pacientes esperados para o dia. No curto período de um turno, você pode diagnosticar faringite por estreptococos, intubar um paciente que não responde devido overdose de heroína, revelar um diagnóstico de câncer a um paciente jovem com sintomas semelhantes aos da gripe, reduzir um quadril deslocado, colocar um dreno torácico em um paciente com um hemotórax e ressuscitar um paciente em parada cardíaca. Seu próximo paciente pode ser um menino de seis anos ou um de 75 anos, ambos com dor abdominal. Em um cenário onde alguns podem ver o caos, os médicos emergencistas encontram a ordem. É emocionante. É energizante. Essa diversidade é um aspecto singularmente desafiador da medicina praticada no departamento de emergência.

Os médicos emergencistas buscam em uma base de conhecimento que abrange todas as especialidades médicas, incluindo pneumologia, cardiologia, gastroenterologia, cirurgia do trauma, nefrologia, oftalmologia, psiquiatria e neurologia. Conhecedor de tudo? Certo. Mestre de nenhuma? Nem mesmo perto. A lacuna entre as especialidades médica e cirúrgica é preenchida dentro da prática da medicina de emergência. A combinação de uma ampla base de conhecimento com a necessidade de desenvolver um conjunto de habilidades de procedimento focado faz do médico emergencista um verdadeiro canivete suíço dentro da medicina. Da intubação endotraqueal, cricotireoidostomia, redução de fratura e punção de acesso central até a pericardiocentese, torascotomia, colocação de dreno torácico e cantotomia lateral, até mesmo o mais entusiasta dos “procedimentista” vai se achar sobrecarregado trabalhando no Departamento de Emergência (DE).

Variedade é uma palavra que não apenas define a prática da medicina de emergência, mas também o estilo de vida que ela oferece. Você é uma pessoa matinal que acorda de madrugada e pensa melhor com uma mente renovada depois do café da manhã? Ou você é uma coruja da noite que recebe uma explosão de energia nas primeiras horas da noite, quando a maioria das outras pessoas está dormindo? Você é um guerreiro de fim de semana que prefere manter sua agenda aberta nesses dias? Ou prefere trabalhar durante o dia para terminar a tempo de pegar seus filhos depois que eles terminarem o dia na escola? Independentemente da sua preferência, o trabalho por turnos no departamento de emergência oferece um nível de flexibilidade que não é visto em outras especialidades médicas. Médicos de emergência gerenciam a agitação de seu departamento por um determinado número de horas, após o que uma nova equipe médica chega para assumir o controle. Após o seu plantão, o médico anterior entrega os cuidados de seus pacientes para a nova equipe que chega para continuar o manejo diagnóstico e terapêutico do paciente. Sendo assim, você pode se trocar, assinar a saída e ir para casa sem levar qualquer parte do trabalho com você. A natureza do trabalho por turnos também permite a troca de turnos entre os próprios médicos que trabalham no departamento de emergência. Quer uma semana de folga em abril para passar algum tempo na praia? Desde que você planeje com antecedência, você não terá problemas para chegar lá. Com planejamento suficiente, é bem possível estar em quase todos os eventos importantes da vida / família que você escolher.

Dentro do campo da especialidade medicina de emergência, os médicos podem ser empregados em vários contextos. Esses contextos variam desde DE baseados em hospitais ou autônomos, instalações de cuidados urgentes, unidades de observação médica, serviços de resposta rápida de emergência e até locais de telemedicina. O volume dos pacientes atendidos, mesmo em instalações próximas umas das outras, pode variar muito. Algumas instalações são designadas como centros de trauma, enquanto outras não são. Há instalações em associação com um forte centro acadêmico que fornece suporte para várias subespecialidades e outras são hospitais comunitários com recursos limitados. Não importa qual seja a sua preferência, existe uma variedade de configurações para atender às suas necessidades. Mas vamos para a verdadeira questão em pauta: os médicos emergencistas estão satisfeitos com sua carreira? Este é realmente o ponto crucial de qualquer discussão sobre a escolha de uma especialidade. Quão devastador seria perceber depois de passar mais de uma década na faculdade de medicina e na residência que trabalhar no departamento de emergência não é para você? Bem, em 2015, os médicos emergencistas ficaram em 4º na satisfação geral em comparação com outras especialidades médicas. 60% de todos os médicos emergencistas pesquisados ​​estavam satisfeitos com sua renda. Os médicos emergencistas geralmente trabalham mais intensamente por um número menor de horas em comparação com outros médicos e desfrutam de uma remuneração acima da média por hora. Abaixo, o Dr. Kevin King, do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, em San Antonio, discute os prós e contras de uma carreira em Medicina de Emergência: Prós e Contras de uma Carreira em Medicina de Emergência. Como você pode ver, a vida de um médico emergencistas  não é um ajuste perfeito para todos. Os médicos emergencistas sofrem de relativamente altas taxas de burnout. No entanto, à medida que o campo evolui e o bem-estar do médico se torna uma prioridade para todos os médicos dentro da medicina, isso certamente melhorará. Se as características descritas acima são consistentes com as qualidades que você está procurando em uma especialidade, a medicina de emergência pode ser o ajuste perfeito para você.

Referência: Sanderson W, Cuevas D, Rogers R. Emergency Medicine: A Unique Specialty. In:  Cevik AA, Quek LS, Noureldin A, Cakal ED (eds) iEmergency Medicine for Medical Students and Interns – 2018. Retrieved April 26, 2019, from https://iem-student.org/emergency-medicine-a-unique-specialty/

Revisado: Jule Santos, médica emergencista, fundadora do Emergência Rules, Supervisora Residência de Medicina de Emergência ESCS/DF, Vice-Presidente ABRAMEDE-DF

OBS.: Fique à vontade para comentar e sugerir correções. Estamos tentando traduzir para nossa língua o que de melhor já foi feita na Medicina de Emergência pelo mundo!!

Entrevista em ME 1

SABEDORIA Coletiva em Medicina de Emergência: Judith E. Tintinalli
Judith E. Tintinalli, MD, MS (Presidente emérita, Professora em Medicina de Emergência, na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill) // Editado por: Alex Koyfman, MD (@ EMHighAK) e Brit Long, MD (@ long_brit)
1) Por que ainda medicina de emergência?
Ei, eu realmente gosto mesmo disso! Trabalhei noite passada: nós atendemos doente atrás de doente, o plantão voou. Fazer diagnóstico na emergência ainda é desafiador. Todo plantão, aprendo algo novo. Tento novos tratamentos, novas técnicas. É um ambiente estimulante. E eu me surpreendo com as coisas que não sei, com coisas que esqueci, coisas que acho que deveria saber …
2) Caso mais impactante.
Foi no Hospital Beaumont, em Michigan. Plantão cheio, muitas crianças, fui ver uma criança que havia caído da bicicleta. Parecia bem. Então chequei ela mais ou menos uma hora depois – deterioração do estado neurologócio! Liguei para Alexa Canady urgentemente, eu disse Alexa, esse garoto tem um epidural agudo. Vou levá-lo eu mesma para a TC e te enconto no centro cirúrgico. Depois da TC (que eu não tive tempo de olhar), eu a encontrei no elevador com a criança na maca; nós dois estávamos a caminho do centro cirúrgico. A criança realmente tinha um hematoma epidural, e a rápida descompressão de Alexa o salvou.

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O começo

Toda vez que leio: um significado diferente: É como um abraço.
“Medicina de Emergência: a especialidade que invade os 15 minutos mais interessantes de todas as outras especialidades”
Por que somos diferentes?
Como enxergar a diferença entre a Medicina de Emergência e as outras especialidades médicas?
Nós trabalhamos em um ambiente diferente, em horários específicos e com pacientes mais especiais do que qualquer outra especialidade. Nosso lema poderia ser:
“Qualquer um, com qualquer coisa, em qualquer horário” 🙆🏽
Enquanto outros médicos se detém na pergunta:
– “O que esse paciente tem?”(isto é, “Qual o diagnóstico?”)
Médicos Emergencistas estão sempre pensando:
– “Do que esse paciente precisa?” Agora ou em 5 minutos ou em duas horas…
E isso envolve uma cabeça diferente? Sim, porque o conceito de manejar pacientes com sintomas e não com diagnósticos é quase alienígeno para a maioria dos nossos colegas médicos.
Sim, fazemos isso todos os dias, várias vezes durante cada plantão.
Toda vez que me apresento a um paciente, nunca sei em qual direção as coisas irão se encaminhar e por isso mesmo, às vezes sinto a necessidade de dar um aviso antes de começar:
Olá, Pessoa Desconhecida, eu sou o Doutor Joe Lex.

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